outubro 14, 2011

CINEMA BRASILEIRO ESTÁ DE LUTO - Morreu Leon Cakoff, criador da MOSTRA DE CINEMA de SP

A MOBZ manifesta suas condolências e pesares com o falecimento hoje do parceiro e colega de longa data LEON CAKOFF, criador da MOSTRA DE CINEMA DE SÃO PAULO, que chega a sua 35ª edição neste dia 21 de outubro.

Cakoff faleceu devido a um câncer, contra o qual lutava desde 2002. Nascido Leon Chadarevian em Alepo, na Síria, o crítico de cinema adotou o pseudônimo Cakoff para evitar problemas com a ditadura militar.

Cakoff deixa quatro filhos (Pedro, Laura, Jonas e Tiago). Renata de Almeida, sua esposa por 22 anos, segue como diretora da MOSTRA. A todos nossos desejos de força nesta hora difícil.

Esta semana também foi marcada por outras perdas irreparáveis do cinema nacional. Nesta quinta-feira faleceu no Rio de Janeiro o cineasta ALBERTO SALVÁ (nascido 13 Abril 1938, em Barcelona), diretor do filme O HOMEM SEM IMPORTÂNCIA.

E nesta quarta, dia 12, o cineasta MARCELO FRANÇA, diretor de RITMO ALUCINANTE (1975), também nos deixou. Todos serão sentidos.

outubro 13, 2011

COLUNA RODOLFO VALVERDE: A Anna Bolena de Donizetti

Das mais de 60 óperas compostas por Gaetano Donizetti (1797-1848), Anna Bolena, sua trigésima, foi a responsável por consolidar a fama internacional do compositor italiano.

Estreada em 26 de dezembro de 1830, em Milão (Teatro Carcano), na voz da grande Giuditta Pasta (1797-1865), a tragédia lírica de Donizetti foi elaborada sobre libretto em italiano de Felice Romani (1788-1865), baseado na obras de Ippolito Pindemonte e Alessandro Pepoli.


Anna Bolena inaugura ainda uma série de três óperas de Donizetti, inspiradas em personagens ingleses verídicos da dinastia Tudor, que enfocam especialmente três soberanas: além de Anne Boleyn, Mary Stuart, na ópera Maria Stuarda (de 1834), e Elizabeth I, na ópera Roberto Devereux (1837).


Apesar do sucesso inicial, a ópera praticamente saiu do repertório até a década de 50 do século passado, quando foi reabilitada e passou a integrar as temporadas líricas de diversos teatros, tanto na Europa quanto na América. Marcou época a produção de Luchino Visconti para Maria Callas, no Teatro alla Scala, em 1957, um dos grandes papéis da diva greco-americana. Interessante notar que a atual produção de David McVicar marca a estreia de Anna Bolena no MET, 171 anos após a sua primeira apresentação.


Uma das razões principais da qualidade da ópera reside no libretto bem delineado de Romani, que possibilitou a Donizetti imbuir as convenções da ópera italiana de então com profundidade psicológica e expressiva, especialmente em duetos como o de Anna e Jane Seymour no início do Ato II. Os diversos contrastes emocionais são amplamente destacados pela música, como bem demonstra o trio da 2ª cena do Ato II, (Fin dall’età più tenera) confrontando a ira de Enrico VIII, a indignação de Bolena e as reminiscências nostálgicas de Lord Percy.


A cena final, na Torre de Londres, é o ápice dramático-musical da ópera, culminando com a grande ária de Anna Bolena (Al dolci guidami...), com corne inglês obligatto. Numa extraordinária cabaletta de imenso virtuosismo, Donizetti encerra musicalmente o frenesi emocional que devasta a rainha, veículo ideal para a demonstração das qualidades vocais de um verdadeiro soprano drammatico d'agilità.


A interpretação de Anna Bolena, um verdadeiro tour de force, encontrou outras grandes artistas, além de Callas, em Montserrat Caballé, Dame Joan Sutherland (1926-2010), Leyla Gencer (1928-2008), Renata Scotto, Beverly Sills (1929-2007) e Edita Gruberova. A russa Anna Netrebko (que cantou o papel pela primeira vez neste ano, na Ópera de Viena) vem agora incluir seu nome no panteão das divas que deram vida, e voz, à trágica rainha de Donizetti, e da história.


Assista à performance eletrizante de Anna Netrebko na cabaletta da ária da loucura de Anna Bolena (Coppia iniqua...), no MET:


Anna Bolena at the Met with Anna Netrebko (Mad Scene) from Larry Murray on Vimeo.


Dúvidas ou comentários, escreva para rodolfo.valverde@mobz.com.br

outubro 11, 2011

MET ÓPERA - Temporada 2011-12 começa com ANNA BOLENA, ao vivo de Nova York neste sábado


A temporada 2011-2012 das óperas do METropolitan de Nova York começa neste sábado, dia 15, com ANNA BOLENA sendo transmitida AO VIVO em alta definição via satélite para o Brasil através da LiveMobz.

Com os comentários do especialista Rodolfo Valverde e apresentação do diretor da MOBZ Fábio Lima, ANNA BOLENA traz a soprano russa Anna Netrebko no papel da rainha-consorte levada à loucura pela infidelidade do marido, o rei Henrique VIII.

A transmissão começa às 14h nas salas abaixo.

CLIQUE NOS LINKS PARA COMPRAR SEU INGRESSO

CIRCUITO DE EXIBIÇÃO AO VIVO MET ÓPERA - ANNA BOLENA, SÁBADO, 15 - ÀS 14H:

CAMPINAS
Cinesystem Galleria (exibem a ópera gravada no dia 20)

MARINGÁ
Cinesystem Maringá Park

PORTO ALEGRE
Cinesystem Shopping Total

RIO DE JANEIRO
Cine Leblon
Cine São Luiz (a confirmar)

SANTOS
Cine Roxy

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
Cinesystem Shopping Vale Sul

SÃO PAULO
Kinoplex Itaim

outubro 07, 2011

ENDA - Resultados da promoção COMO O BALÉ MEXE COM A SUA VIDA?

O concurso cultural para bailarinos que participaram do XXX ENDA chegou ao fim.

Para concorrer os participantes tinham que responder à pergunta: COMO O BALÉ MEXE COM A SUA VIDA?

As vencedoras são:

Tatiana Alves
Resposta: O balé mexe com a minha vida porque se mistura com ela, sem o balé fico sem vida, sem vida não há felicidade, e sem a felicidade o sangue não flui em minhas veias...

Bruna dos Santos
A melodia é o que impulsiona meus passos e o tocar da música incentiva meus movimentos, para fazer do ballet umas das grandes motivações do meu sentido de viver!

Elas terão acesso a toda a temporada 2011/2012 da MOBZ com direito a um acompanhante.

TEMPORADA DE BALÉ 2011/2012:

ESMERALDA, dia 9 de outubro
A BELA ADORMECIDA, dia 20 de novembro
O QUEBRA-NOZES (gravado), 18 de dezembro
O CORSÁRIO, 11 de março
THE BRIGHT STREAM, 29 de abril de 2012
RAYMONDA, 24 de junho de 2012

As demais participações do concurso não cumpriram com as exigências do regulamento, e portanto restringimos os vencedores a estas duas respostas.

COLUNA RODOLFO VALVERDE: A Trajetória do Ballet ESMERALDA


A nova produção do Teatro Bolshoi para o balé La Esmeralda teve sua estreia em 2009, com coreografia de Yuri Burlaka (diretor artístico do corpo de baile) e Vasily Medvedev baseada na versão histórica de Marius Petipa (1818-1910).


Entretanto, foi o bailarino e coreógrafo francês Jules Perrot (1810-1892) que, inspirado na novela de Victor Hugo, Notre Dame de Paris, elaborou a primeira versão coreográfica de La Esmeralda, sobre música do compositor italiano Cesare Pugni (1802-1870).


A estreia aconteceu em 9 de março de 1844, em Londres, no Her Majesty’s Theatre. A ballerina Carlotta Grisi deu vida à primeira Esmeralda, tendo como seus parceiros bailarinos do porte de Arthur Saint-Leon (também coreógrafo), como Phoebus, Antoine Louis Coulon, como Quasimodo, e o próprio Perrot, como Gringoire.


Na Rússia, a primeira récita se deu em São Petersburgo, no Teatro Imperial Bolshoi Kamenny, em janeiro de 1849 (nessa época não havia ainda o Mariinsky).A versão do francês Marius Petipa estreou em dezembro de 1886, já no Teatro Imperial Mariinsky de São Petersburgo, com revisões e acréscimos musicais de Riccardo Drigo (1846-1930), especialmente o célebre pas de six.


O balé, de longa duração, é raramente apresentado na íntegra, com exceção da Rússia (embora tenha subido ao palco do Bolshoi, pela última vez, em 1934) e países do leste europeu. Nos Estados Unidos, a première da versão integral somente se deu em 2004, em New Jersey, embora alguns dos excertos principais sejam habitualmente dançados pelas principais companhias de balé ao redor do mundo.


Destes fragmentos, destaca-se o pas de deux de Diane e Actéon, que não é da coreografia original de Perrot, mas de Petipa. O curioso é que a inserção deste número aconteceu somente em 1932, na versão de Agrippina Vaganova para o Kirov de São Petersburgo . O pas de deux foi adaptado de uma coreografia de Petipa concebida em 1903 para a reapresentação de seu balé Tsar Kandavl (O Rei Candaules).


Cesare Pugni foi o mais prolífico compositor de música para balé da história, contabilizando mais de 100 partituras originais, sem contar os inúmeros acréscimos e revisões para balés de outros autores. Dentre suas obras, destacam-se, além de La Esmeralda, A Filha do Faraó, Ondine e o já citado Rei Candaules.


Que tal ver um pouco da preparação desta nova produção do Bolshoi e ouvir os comentários dos coreógrafos?

New production of "Esmeralda" for the Bolshoi Ballet from DANCECHANNELTV on Vimeo.

Comentários, perguntas ou sugestões, envie e-mail para rodolfo.valverde@mobz.com.br