novembro 17, 2011

COLUNA RODOLFO VALVERDE (em dobro): SATYAGRAHA e A BELA ADORMECIDA - Da Verdade à Magia


SATYAGRAHA

Satyagraha é a segunda ópera de uma trilogia composta pelo norte-americano Philip Glass (1937) sobre grandes homens que mudaram a história do mundo. A primeira, Einstein on the Beach, é inspirada no gênio da física, e a última, Akhnaten, versa sobre as transformações religiosas introduzidas pelo faraó egípcio.

A ópera estreou no Teatro Municipal de Rotterdam (Holanda), que comissionou a obra, em 5 de setembro de 1980. Nos Estados Unidos, a première aconteceu em julho de 1981 em Lewiston, New York. A atual montagem do MET é uma co-produção com a English National Opera, que estreou em Londres em abril de 2007. No palco nova-iorquino, foi encenada, pela primeira vez, em 2008.

Satyagraha, que em sânscrito significa “força na verdade”, se refere ao movimento de resistência pacífica à injustiça proposto pelo líder indiano Mahatma Gandhi. O libretto, com versos em sânscrito inspirados no Bhagavad Gita, foi escrito pelo próprio compositor e por Constance DeJong.

O texto semi-narrativo, de sequência não cronológica, é voltado especialmente ao desenvolvimento das ideias centrais. Nos dois primeiros atos, a cada cena inicial descrevendo um conflito armado, segue-se uma segunda cena delineando a apreensão dos princípios filosóficos pela comunidade. Sintetizando ação e ideia, a cena única do terceiro ato estabelece um conflito intenso, como os descritos no início dos atos anteriores, e ao mesmo tempo pacífico, em sintonia com desdobramentos das cenas seguintes.

Cada um dos três atos da ópera se vincula a um ícone histórico associado aos ideais de Ghandi, tanto como fonte de inspiração como inspirado por eles: o escritor russo Leo Tolstoy no primeiro ato, o poeta indiano Rabindranath Tagore no segundo, e Martin Luther King, ativista norte-americano dos direitos civis, no terceiro. Os três personagens, que silenciosamente observam os acontecimentos em palco, simbolizam o passado, o presente e o futuro do movimento Satyagraha.

A música de Philip Glass para a ópera é uma expansão de seu estilo minimalista, afastando-se das propostas mais radicais ouvidas em Einstein on the Beach e aproximando-se da longa tradição lírica, como se pode perceber já na primeira cena. Elaborada sobre uma chaconne, a rica linha declamatória de uma ária se transforma em um dueto e posteriormente em um trio, antecipando o fluxo melódico vocal contínuo que se ouvirá em toda a obra, organizado em progressões harmônicas repetitivas, característica marcante do minimalismo, que acentuam o seu caráter meditativo.

Em consonância com os princípios filosóficos do tema, a orquestração de Glass se baseia em cordas e sopros de madeira (além de um órgão eletrônico), excluindo metais e instrumentos percussivos. O espírito comunitário é reforçado pela ampla e importante participação do coro.

Aproveite para ouvir alguns excertos da ópera Satyagraha com imagens da atual produção do MET:







A BELA ADORMECIDA


O mais célebre dos compositores de balé do século XIX, o russo Piotr I.Tchaikovsky (1840-1896) completou A Bela Adormecida em 1889, baseado em argumento de Ivan Vsevolozhsky, diretor dos Teatros Imperiais Russos, inspirado, por sua vez, na versão dos irmãos Grimm para o conto de fadas La Belle au boi dormant, de Charles Perrault.


A Bela Adormecida
foi coreografada por Marius Petipa (1818-1910) e teve sua estreia em 15 de janeiro de 1890 no Teatro Mariinsky, de São Petersburgo, regida pelo compositor Riccardo Drigo. Segunda das três partituras para balé de Tchaikovsky, foi seguida, logo após, pelo Quebra-Nozes e precedida por O Lago dos Cisnes que, em sua estreia em 1877, não havia sido bem recebido pela crítica.

A bailarina Carlotta Brianza deu vida à primeira princesa Aurora, tendo Marie Petipa, filha do maitre de ballet, como sua protetora, a Fada Lilás. A cruel Carabosse, normalmente um papel travesti, foi interpretada pelo célebre bailarino e professor italiano Enrico Cechetti (1850-1928), que dançou também o Pássaro Azul, no Ato III.


Desde então, A Bela Adormecida se tornou um dos mais aclamados balés do repertório clássico, estreando em 1896 no Teatro alla Scala, de Milão e, em janeiro de 1899, no Teatro Imperial Bolshoi. Apesar da acolhida triunfal desta obra-prima musical e coreográfica na Rússia, o balé assumiu, no ocidente, trajetória de sucesso somente após a produção de Sergei Diaghilev para seus Ballets Russes, estreada em Londres em 1921.


Durante o século XX, outros notáveis coreógrafos e produtores imprimiram a sua marca no balé, notadamente Ninette de Valois, para a estreia do Royal Ballet como companhia residente da Royal Opera House, em 1946.


A versão original de Petipa, incluindo figurinos e cenários, foi reconstruída pelo Kirov (Teatro Mariinsky) em 1999. A atual coreografia do Bolshoi, de Yuri Grigorovich, diretor artístico da casa por mais de 30 anos, estreou em 1973.


Os dois primeiros atos gravitam em torno do conflito entre o bem e o mal, representados respectivamente pela Fada Lilás e por Carabosse, sublinhado por Tchaikovsky pelo uso recorrente de leitmotifs (temas condutores) que caracterizam cada uma destas figuras centrais.


A música do terceiro ato, de grande diversidade e colorido instrumental, como de resto toda a obra, ilustra, em um rico divertissement, as várias personagens dos contos-de-fadas que celebram o casamento real. Em A Bela Adormecida, a música do mestre romântico russo guarda ainda algumas de suas características mais marcantes, como a abundância de melodias, tecidas em uma partitura ao mesmo tempo repleta de sutilezas harmônicas e grande poder expressivo.


Dúvidas ou comentários, aguardo o seu e-mail: rodolfo.valverde@mobz.com.br

3 comentários:

vera vidal disse...

ESTIVE NA APRESENTAÇÃO DE CURITIBA. FOI LINDA .O TEATRO REFORMADO ESTAVA MARAVILHOSO.SÓ ESTRANHEI A CORTINA , QUE ESTAVA DIFERENTE , MAS DEPOIS CHEGANDO EM CASA PEGUEI DVDS DE ANTIGAS APRESENTAÇÕES DO BOLSHOI E VI O QUE ERA : A ANTIGA CORTINA ERA DE VELUDO LAVRADO E TINHA NA ESTAMPA FOICE- MARTELO - ESTRELA DO ANTIGO REGIME DAI NÃO PODEREM RECONSTITUI-LA . MAS O RESTO ESTAVA PERFEITO. OUTRO SENÃO
FORAM OS MATERIAIS DAS NOVAS FANTASIAS AGORA FEITAS DE MATERIAL SINTETICO, EX. AS MANGAS FOFAS NÃO TEM MOVIMENTO COMO ANTIGAMENTE QUE ERAM DE SEDA PURA. COISAS QUE COM O TEMPO ELES VÃO CORRRIGIR , OS TUTUS LINDOS MAS MUITO RIJOS E FALTAVA A MESCLA DE TRAJES DIAFANOS PARA AS FADAS QUANDO VOLTAM PARA A APOTEOSE . MAS ISSO SÃO COMCEPÇÕES DE FIGURINISTAS MAS QUE NÃO ATRAPALHARAM A PERFORMANCE DOS EXCELENTES BAILARINOS ATUANTES. ADOREI A DELICADEZA E PERFEIÇÃO DE GESTOS. A SURPRESA FOI O PRINCE AMERICANO POIS SVETLANA JÁ É BEM CONHECIDA PRINCIPALMETNE POR TER DANÇADO NO SCALA VARIOS PAPEIS. QUANTO A TRANSMISSÃO O UNICO PROBLEMA FOI O SOM INTERROMPIDO QUE DEPOIS FOI SOLUCIONADO , MAS O VOLUME NA SALA 4 DO PALALDIUM PARA MEUS OUVIDOS ACOSTUMADOS A CONCERTOS AO VIVO ESTAVA MUITO ALTO FOI O UNICO SENÃO DA TRANSMISSÃO ESPERO QUE CONSERTEM PARA AS PROXIMAS APRESENTÇÕES.
GOSTARIA QUE REPETISSEM PROGRAMAS QUE AQUI NÃO FORAM PASSADOS COMO SIGFRIED.
A RODELINDA NÃO PODEREI ASSISTIR POR JÁ TER COMPROMISSOS AGENDADOS, GOSTARIA DE ASSISTIR UMA REPRISE. COM CERTEZA ESTAREI NO DIA 18. MUITO OBRIGADA POR NOS PROPORCIONAR TÃO LINDOS ESPETACULOS
AT.VERA VIDAL

vera vidal disse...

o comentario da bela adormecida esta ao lado obrigada

Katia disse...

Boa tarde. Gostaria de saber quando será (definitivamente) a reprise gravada de Satyagraha em Brasília. Obrigada.